INTRODUÇÃO
Olá!
Na aula 13, você irá compreender que os tipos de imunobiológicos e de componentes vacinais permitem o melhor entendimento da lógica do calendário do Programa Nacional de Imunizações, das recomendações de associações e situações de adiamento vacinal. Além da melhoria também do cuidado e da prática diária, da possibilidade de reconhecer, classificar e investigar os eventos adversos pós-vacinação, bem como, identificar as falsas contraindicações da vacinação.
Vamos começar? Conheça os Objetivos de Aprendizagem.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Ao final desta aula, você será capaz de:
Comparar os diferentes tipos de vacinas (vivas atenuadas, inativadas, com vetor viral, de RNA, celular, acelular).
Compreender como os diferentes tipos de vacinas influenciam nos esquemas vacinais.
MAPA DA AULA
Início
Tipos de imunobiológicos
Imunobiológicos são vacinas, soros e imunoglobulinas que se diferem dos outros tipos de medicamentos devido à sua natureza biológica, processos complexos de fabricação e métodos utilizados para avaliação da qualidade.
Vacinas são produtos imunobiológicos que contêm uma ou mais substâncias antigênicas que, quando inoculadas em determinado organismo, são capazes de induzir imunidade específica ativa, a fim de proteger contra, reduzir a gravidade ou combater certa doença.
Imunoglobulinas, ou anticorpos, são substâncias produzidas pelo organismo quando ele entra em contato com algum antígeno. Os anticorpos coletados de humanos para serem utilizados como proteção às doenças são chamados imunoglobulinas e os anticorpos coletados de animais, soros.
Saiba mais informações no Material de Referência disponível do AVA
Soros heterólogos (ou apenas, soros) são assim denominados porque os anticorpos são obtidos a partir do plasma de doador (principalmente equinos) de espécie diferente daquela do receptor (homem).
Saiba mais informações no Material de Referência disponível do AVA
Os anticorpos monoclonais, medicações biológicas complexas, são anticorpos produzidos pela linhagem de uma única célula, o que torna esse produto extremamente puro, preciso e homogêneo. Podem ser utilizados para prevenção de doenças infecciosas ou na terapia de outras doenças, como diversos tipos de câncer.
COMPOSIÇÃO DAS VACINAS
Conforme informado no conceito visto anteriormente, as vacinas podem conter um ou mais agentes imunizantes (vacina monovalente ou combinada) em diversas formas biológicas. Vejamos a seguir:
OS PRINCIPAIS COMPONENTES DAS VACINAS SÃO:
Saiba mais informações no Material de Referencia disponível do AVA.
TIPOS DE VACINAS
As vacinas podem conter microrganismos vivos (ou viáveis) ou inativados e costumam ser chamadas de “vacinas vivas” ou “vacinas inativadas”.
Vamos conhecer um pouco sobre as VACINAS VIVAS.
São constituídas de microrganismos atenuados, isso é, estão viáveis, se multiplicam, mas perderam a capacidade de causar doença. Esses microrganismos são obtidos pela seleção de cepas naturais (selvagens), e atenuados por passagens em meios de cultura especiais (por exemplo, vacinas caxumba, febre amarela, poliomielite oral, rotavírus, rubéola, sarampo e varicela).
Os vírus vacinais infectam o organismo que recebe a vacina desencadeando os mecanismos de defesa da cadeia imunológica, promovendo proteção futura. Caso esse organismo entre em contato novamente com o agente causador da doença, ativam mecanismos de imunidade humorais (produção de anticorpos) e celulares (desenvolvimento de células de memória) no organismo receptor.
A replicação viral do vírus vacinal consiste em uma infecção similar à natural, por isso, possuem grande capacidade protetora, imunidade em longo prazo e são utilizadas em menor número de doses que as vacinas inativadas. Também por esse motivo, os eventos adversos ocorrem após alguns dias da administração das vacinas.
A desvantagem das vacinas vivas é o risco de provocarem eventos adversos em virtude de virulência residual e causarem doença em pacientes com imunodepressão grave.
AGORA VAMOS FOCAR NAS VACINAS INATIVADAS
As VACINAS INATIVADAS não contêm os microrganismos vivos ou viáveis. Elas podem ser obtidas de diversos modos.
Vacinas obtidas por microrganismos inteiros inativados por meios físicos ou químicos, geralmente o formaldeído, de tal modo que perdem sua capacidade infecciosa, mas mantêm suas propriedades imunogênicas protetoras.
Vacinas obtidas por Produtos tóxicos (toxinas) dos microrganismos, também inativados. Exemplos: vacinas adsorvida difteria e tétano.
Vacinas de subunidades ou de fragmentos de microrganismos. Exemplo: alguns tipos de vacina influenza.
Vacinas obtidas por meio da identificação dos componentes dos microrganismos, responsáveis tanto pela agressão infecciosa quanto pela proteção.
Vacinas obtidas por engenharia genética, que consiste na inserção de um fragmento de material genético em um microrganismo, fazendo com que esse organismo produza alguma substância desejada.
Vacinas constituídas por polissacarídeos são substâncias extraídas da cápsula de microrganismos invasivos, como o pneumococo e o meningococo. Essas vacinas não são capazes de estimular imunidade celular, timo-dependente.
Vacinas conjugadas, de tecnologia mais moderna, em que os polissacarídeos são conjugados a proteínas, criando-se um complexo antigênico capaz de provocar respostas imunológicas mais potentes, timo-dependentes.
Vacinas obtidas por vacinologia reversa. Nessa tecnologia, após o sequenciamento genético do microrganismo, identificam-se algumas proteínas que são comuns à maioria das cepas desse microrganismo.
Vacinas de vetores virais utilizam vírus humanos ou de outros animais, replicantes ou não, como “carregadores” (vetores) de genes que codificam a produção de determinada proteína antigênica.
Vacina de RNA mensageiro: o segmento do RNA do vírus, capaz de codificar a produção de determinada proteína, é encapsulado em nanopartículas lipídicas.
Consulte o Material de Referência e saiba mais sobre os vários modos de obtenção das Vacinas Inativadas.
Atenção
MESMO CONSIDERANDO AS DIFERENÇAS DE EFEITOS DAS VACINAS VIVAS E DAS INATIVADAS, MUITAS DAS VACINAS INATIVADAS SÃO IMUNÓGENOS POTENTES E CONFEREM PROTEÇÃO DE LONGA DURAÇÃO.
Outra diferenciação importante para seus conhecimentos é sobre a vacina de células inteiras e a vacina acelular, nomenclatura utilizada para a vacina tríplice bacteriana (DTP).
Na tríplice bacteriana (DTP) de células inteiras, o componente pertússis (coqueluche) contém células inteiras da bactéria, inativadas.
Na tríplice bacteriana acelular (dTpa), o componente pertússis apresenta componentes purificados dos antígenos da bactéria. Por não conterem células inteiras, são chamadas ACELULARES.
As diferenças de indicações, contraindicações, efetividade e EAPV dessas duas vacinas serão abordadas com mais ênfase, nas aulas correspondentes deste curso.
ASSOCIAÇÃO DE VACINAS
A associação de vacinas que consiste na administração de vários imunizantes em um mesmo atendimento, reduz visitas aos serviços de saúde e facilita a operacionalização do esquema vacinal completo. Conheça alguns conceitos para diferenciá-las:
Vacinação combinada é quando dois ou mais agentes imunizantes são administrados em uma mesma preparação. É utilizada há muito tempo no calendário infantil e adulto.
Vacinação simultânea é quando várias vacinas são administradas em diferentes locais anatômicos ou por diferentes vias.
Importante
VACINAS DIFERENTES NÃO PODEM SER MISTURADAS NA MESMA SERINGA.
INTERVALO ENTRE VACINAS
O intervalo entre vacinas é um tema muito importante e que gera dúvidas, devido a algumas particularidades.
Por isso, sempre que possível, um esquema de vacinação deve ser realizado segundo o intervalo de tempo recomendado no Calendário de Vacinação, nunca menor que o intervalo de tempo mínimo especificado para cada vacina.
O intervalo é necessário para o processamento da resposta imunológica, seja por intermédio da produção de anticorpos ou da estimulação da complexa rede de células da imunidade.
Também é importante que seja respeitada a idade mínima para receber vacinas, já que crianças muito novas podem não ser capazes de produzir resposta imune adequada a determinados tipos de vacinas pela imaturidade imunológica.
Como regra geral, todas as vacinas recomendadas rotineiramente podem ser aplicadas no mesmo dia, com duas exceções:
O intervalo mínimo entre as vacinas virais atenuadas parenterais (tríplice viral, varicela), caso não sejam administradas simultaneamente, deve ser de 30 dias. No caso da vacina febre amarela, excepcionalmente, em situações onde há alto risco de contágio, o intervalo mínimo pode ser de 15 dias.
Veja alguns exemplos de intervalos recomendados entre as doses de vacinas que contêm vírus vivo atenuado e vacinas que não contêm vírus vivo atenuado.
Conheça exemplos de intervalos entre administração de dois ou mais imunobiológicos. Uso simultâneo ou sequencial de duas ou mais vacinas e/ou imunoglobulinas.
ATENÇÃO ÀS RECOMENDAÇÕES DE INTERVALO PARA VACINA COVID-19
É improvável que a administração simultânea das vacinas covid-19 com as demais vacinas do calendário vacinal incorra em redução da resposta imune ou risco aumentado de EAPV. No entanto, neste momento, não se recomenda sua administração simultânea com as demais vacinas do calendário vacinal. Preconiza-se um INTERVALO MÍNIMO de 14 DIAS entre as vacinas COVID-19 e as diferentes vacinas do calendário.
Consulte o Material de Referência para conhecer as exceções em algumas situações.
ESQUEMAS DE VACINAÇÃO ( MÚLTIPLAS DOSES E REFORÇOS VACINAIS)
VACINAS DE MICRORGANISMOS VIVOS ATENUADOS
Têm grande capacidade protetora. Assim, conferem imunidade em longo prazo e são utilizadas em menor número de doses que as vacinas inativadas.
VACINAS INATIVADAS
Com uma única dose geralmente não se alcançam níveis de imunidade protetores e, quando esses níveis são alcançados, podem sofrer queda ao longo do tempo.
CONTRAINDICAÇÕES DE VACINAÇÃO
Você sabia que é comum ocorrerem contraindicações de vacinas? Estas situações podem acontecer por vários motivos, por isso, é importante conhecer as contraindicações formais.
O QUE É CONTRAINDICAÇÃO?
A contraindicação é entendida como uma condição do usuário a ser vacinado que aumenta, em muito, o risco de um evento adverso grave ou faz com que o risco de complicações da vacina seja maior do que o risco da doença contra a qual se deseja proteger.
Para todo imunobiológico, consideram-se como contraindicações:
- Ocorrência de hipersensibilidade (reação anafilática) confirmada após o recebimento de dose anterior desse imunobiológico;
- História de hipersensibilidade a qualquer componente dos imunobiológicos.
As vacinas de bactérias atenuadas ou vírus vivo atenuado, em princípio, não devem ser administradas a pessoas que:
- Apresentaram reações de caráter anafilático à dose prévia da vacina ou de seus componentes.
- Grávidas (salvo situações de alto risco de exposição a algumas doenças, por exemplo, febre amarela).
- Apresentam imunodeficiência congênita ou adquirida.
Situações em que se recomenda o adiamento da vacinação:
- Na vigência de DOENÇAS AGUDAS FEBRIS GRAVES.
- Até três meses após o tratamento com imunodepressores ou com corticosteróides em período prolongado e dose alta. Essa recomendação é válida inclusive para vacinas inativadas.
- Administração de imunoglobulina ou de sangue e derivados. Essa recomendação é válida para as vacinas contra o sarampo, a caxumba, a rubéola e a varicela.
Consulte o Material de Referência e saiba mais sobre as Contraindicações.
FALSAS CONTRAINDICAÇÕES À VACINAÇÃO
FALSAS contraindicações à vacinação são as situações nas quais NÃO se deve adiar ou contraindicar a vacinação. Estas situações podem causar quedas nas coberturas vacinais, perda da oportunidade e risco de adoecimento entre outras citadas abaixo. Vamos conhecer?
EVENTOS ADVERSOS PÓS-VACINAÇÃO - (EAPVs)
Os Eventos adversos pós-vacinação (EAPVs) são definidos como qualquer ocorrência médica indesejada após a vacinação. Toque nas imagens e veja mais informações:
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Os EAPVs não necessariamente possuem uma relação causal com o uso de uma vacina ou outro imunobiológico (imunoglobulinas e soros heterólogos).
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Os eventos indesejáveis ou não intencionais podem ser um sintoma, doença ou um achado laboratorial anormal.
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Em grande parte das ocorrências de EAPVs, não há relação de causa e efeito com a vacina em questão.
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Os EAPVs podem ser inesperados ou esperados, tendo em vista a natureza e as características do imunobiológico, bem como o conhecimento já disponível pela experiência acumulada.
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EAPVs são aqueles eventos não identificados anteriormente, às vezes com vacinas de uso recente, ou mesmo com vacinas de uso mais antigo.
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Entre os EAPVs esperados, os mais comuns e sem gravidade são: febre, dor e edema local. Eventos mais graves: convulsões febris, episódio hipotônico-hiporresponsivo, anafilaxia etc.
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Eventos inesperados também são aqueles decorrentes de problemas de qualidade do produto.
As vacinas vivas, apesar de suscitarem imunidade duradoura, têm o potencial de causar EAPVs graves quando são administradas em pessoas com deficiência imunológica ou com fatores individuais de predisposição ainda desconhecidos (“idiossincrásicos”).
Os eventos adversos graves são situações que:
– Requerem hospitalização por pelo menos 24 horas ou prolongamento de hospitalização já existente;
– Causam disfunção significativa e/ou incapacidade persistente (sequela);
– Resultam em anomalia congênita;
– Causam risco de morte (ou seja, induz à necessidade de uma intervenção clínica imediata para evitar o óbito);
– Causa o óbito.
Como muitos dos eventos adversos são meramente associações temporais, não se devendo à aplicação das vacinas, se faz necessária uma cuidadosa investigação, visando ao diagnóstico diferencial e ao possível tratamento.
Os pontos básicos para a investigação são:
Fatores relacionados à vacina: inclui o tipo (viva ou não viva), a cepa, o meio de cultura dos microrganismos, o processo de inativação ou atenuação, adjuvantes, estabilizadores ou substâncias conservadoras, o lote da vacina.
Fatores relacionados aos vacinados: idade, sexo, número de doses e datas das doses anteriores da vacina, eventos adversos às doses prévias, doenças concomitantes, doenças alérgicas, autoimunidade, deficiência imunológica.
Fatores relacionados à administração: agulha e seringa, local de inoculação, via de inoculação (vacinação intradérmica, subcutânea ou intramuscular).
Embora possa ocorrer EAPVs graves, a grande maioria, seja de ocorrência local e/ou sistêmica, são de baixa gravidade. Por essa razão, as ações de vigilância são voltadas para os eventos moderados e graves.
O objetivo da vigilância epidemiológica é primordialmente afastar as causas coincidentes e indevidamente atribuídas às vacinas. Por isso a notificação de EAPVs é uma prática de suma importância, pois a coleta de informações e sua análise cuidadosa permitem a verificação da causalidade com o produto administrado, com divulgação de informações fidedignas incluindo incidência e gravidade das reações observadas.
O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica dos Eventos Adversos Pós-Vacinação foi estruturado pelo Ministério da Saúde/Programa Nacional de Imunizações.
Finalizando ...
Nesta unidade, você pôde aperfeiçoar seus conhecimentos em relação aos tipos de imunobiológicos e dos componentes vacinais, reconhecer, classificar e investigar os eventos adversos pós-vacinação, identificar as falsas contraindicações da vacinação, entre outros assuntos.
Agora acesse a página inicial do AVA e encontre materiais e atividades que complementarão o conteúdo visto nesta Aula, são eles:
- Material de Referência;
- Teleaula;
- Material complementar;
- Interação com a comunidade virtual de aprendizagem;
- Atividades Avaliativas.
CRÉDITOS DAS IMAGENS
Banco de imagens Freepik
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Blog da Saúde
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FICHA TÉCNICA
Este material foi elaborado e desenvolvido pela equipe técnica e pedagógica do Mais CONASEMS em parceria com a Faculdade São Leopoldo Mandic.
Curadoria e Produção de Conteúdos Mandic
André Ricardo Ribas Freitas
Fabiana Medeiros Lopes de Oliveira Giuliano Dimarzio
Laura Andrade Lagoa Nóbrega
Márcia Fonseca
Regina Célia de Menezes Succi
Gestor Educacional
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Coordenação Técnica e Pedagógica
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Coordenação Pedagógica – Faculdade São Leopoldo Mandic
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Conexões Consultoria em Saúde Ltda.
Revisão textual
Gehilde Reis Paula de Moura