Via de administração dos imunobiológicos
Você já sabe que cada imunobiológico demanda uma via específica para a sua administração a fim de se manter a sua eficácia plena, não é mesmo? Que tal falarmos um pouco sobre cada uma delas?
Via oral
É utilizada para a administração de substâncias que são absorvidas no trato gastrointestinal com mais facilidade e são apresentadas, geralmente, em forma líquida ou como drágeas, cápsulas e comprimidos. O volume e a dose dessas substâncias são introduzidos pela boca.
São exemplos de vacinas administradas por tal via: vacina poliomielite 1,3 (atenuada) e vacina rotavírus humano.
No caso de produtos com apresentação em dose única, a administração deve ser diretamente na boca da criança; quando a apresentação for multidose, deve-se tomar cuidado para não contaminar o aplicador pelo contato com a mucosa oral.
Via parenteral
A maior parte dos imunobiológicos oferecidos pelo PNI é administrada por via parenteral. As vias de administração parenterais diferem em relação ao tipo de tecido em que o imunobiológico será administrado. Tais vias são as seguintes: intradérmica, subcutânea, intramuscular e endovenosa. Esta última é exclusiva para a administração de determinados tipos de soros.
Para a administração de vacinas, não é recomendada a antissepsia da pele do usuário. Somente quando houver sujidade perceptível, ou no caso de vacinação extramuros e em ambiente hospitalar, a pele deve ser limpa utilizando-se água e sabão ou álcool a 70%.
Via intradérmica (ID)
Na utilização da via intradérmica, a vacina é introduzida na derme, que é a camada superficial da pele. Esta via proporciona uma lenta absorção das vacinas administradas. O volume máximo a ser administrado por esta via é de 0,5ml.
A vacina BCG e a raiva humana em esquema pré-exposição, por exemplo, são administradas pela via intradérmica.
Para facilitar a identificação da cicatriz vacinal, recomenda-se no Brasil que a vacina BCG-ID seja administrada na inserção inferior do músculo deltoide direito. Na impossibilidade de se utilizar o deltoide direito para tal procedimento, a referida vacina pode ser administrada em outro local.
Via subcutânea (SC)
Na utilização da subcutânea, a vacina é introduzida na hipoderme, ou seja, na camada subcutânea da pele. O volume máximo a ser administrado é de 1,5ml.
São exemplos de vacinas administradas por essa via: sarampo, caxumba, rubéola e vacina febre amarela (atenuada).
Alguns locais são mais utilizados para a vacinação por via subcutânea:
- A região do deltoide no terço proximal;
- A face superior externa do braço;
- A face anterior e externa da coxa;
- A face anterior do antebraço.
Via intramuscular (IM)
Na utilização da via intramuscular, o imunobiológico é introduzido no tecido muscular, sendo apropriado para a administração o volume máximo até 5ml.
São exemplos de vacinas administradas por essa via: vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis, Haemophilus influenzae b (conjugada) e hepatite B (recombinante); vacina adsorvida difteria e tétano adulto; vacina hepatite B (recombinante); vacina raiva (inativada); vacina pneumocócica 10 valente (e vacina poliomielite 1,3 (inativada) e vacina covid-19.
As regiões anatômicas selecionadas para a injeção intramuscular devem estar distantes dos grandes nervos e de vasos sanguíneos, sendo que o músculo vasto lateral da coxa e o músculo deltoide são as áreas mais utilizadas.
Via Endovenosa (EV)
Na utilização da via endovenosa, o imunobiológico é introduzido diretamente na corrente sanguínea. É uma via que permite a administração de grandes volumes de líquidos e, também, de soluções que, por serem irritantes ou por sofrerem a ação dos sucos digestivos, são contra indicadas pelas demais vias parenterais e pela via oral, respectivamente. São administrados por essa via, imunobiológicos como os soros antidiftérico, antibotulínico e os soros antivenenos.
Os locais mais utilizados para a administração de injeções endovenosas são as veias periféricas superficiais. A escolha da veia é feita mediante a observação dos seguintes aspectos: acessibilidade; mobilidade reduzida; localização sobre base mais ou menos dura; e ausência de nervos importantes.